{"id":1613,"date":"2018-10-22T17:22:34","date_gmt":"2018-10-22T17:22:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/?p=1613"},"modified":"2018-10-22T17:22:34","modified_gmt":"2018-10-22T17:22:34","slug":"ma-conduta-do-depositario-judicial-que-detem-guarda-dos-bens-penhorados-autoriza-bloqueio-de-dinheiro-do-devedor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/ma-conduta-do-depositario-judicial-que-detem-guarda-dos-bens-penhorados-autoriza-bloqueio-de-dinheiro-do-devedor\/","title":{"rendered":"M\u00e1 conduta do deposit\u00e1rio judicial que det\u00e9m guarda dos bens penhorados autoriza bloqueio de dinheiro do devedor"},"content":{"rendered":"<p>Inicialmente, para um amplo entendimento e compreens\u00e3o da mat\u00e9ria que ser\u00e1 aludida, \u00e9 sabido salientar que a figura do fiel deposit\u00e1rio surgiu da necessidade de guarda de bens que estejam sob a tutela judicial.<\/p>\n<p>O modo como \u00e9 concretizada a guarda e administra\u00e7\u00e3o de bens \u00e9 tamb\u00e9m um \u00f3nus necess\u00e1rio \u00e0 guarda dos bens penhorados ou apreendidos no \u00e2mbito de um processo judicial.<\/p>\n<div id=\"attachment_1614\" style=\"width: 535px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1614\" class=\" wp-image-1614\" src=\"https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/administracao-de-bens-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"296\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/administracao-de-bens-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/administracao-de-bens-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/administracao-de-bens-1.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><p id=\"caption-attachment-1614\" class=\"wp-caption-text\">Administrador de Bens Judicial Infiel<\/p><\/div>\n<p>J\u00e1 no que diz respeito a responsabilidade civil do deposit\u00e1rio infiel, por culpa ou dolo, esta se encontra prevista no <a href=\"https:\/\/brasil.mylex.net\/legislacao\/codigo-processo-civil-novocpc-art77_56401.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">art. 77, par\u00e1grafo 2\u00ba do novo CPC<\/a>, que vai de at\u00e9 vinte por cento sobre o valor da causa, de acordo com a gravidade da conduta ou de at\u00e9 10 (dez) vezes o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo, quando for irris\u00f3rio ou inestim\u00e1vel o valor da causa segundo os termos do art.77, par\u00e1grafo 5\u00ba do novo CPC.<\/p>\n<p>Sendo assim, no que tange \u00e0 san\u00e7\u00e3o penal, o deposit\u00e1rio responder\u00e1 patrimonialmente por culpa ou dolo na hip\u00f3tese de causar preju\u00edzo \u00e0 parte, e estar\u00e1 sujeito ainda ao pagamento de multa por ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ademais, o deposit\u00e1rio infiel tamb\u00e9m se sujeita expressamente a san\u00e7\u00f5es penais, que n\u00e3o poder\u00e3o colidir, entretanto, com a regra fundamental de veda\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o por d\u00edvida, mas ter\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o, por exemplo, nas hip\u00f3teses de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita ou estelionato, nas suas v\u00e1rias formas, j\u00e1 havendo julgados sobre tais temas antes mesmo da refer\u00eancia do <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2015-2018\/2015\/Lei\/L13105.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">novo c\u00f3digo de processo civil<\/a>.<\/p>\n<p>Como <a href=\"https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/\">advogado<\/a>, no <a href=\"https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/area-de-atuacao\/direito-empresarial\/\">\u00e2mbito empresarial<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.wrbarbosa.com.br\/wp\/area-de-atuacao\/direito-de-familia\/\">Direito de fam\u00edlia<\/a>, compreendo que em tais situa\u00e7\u00f5es, sob o aspecto penal, o deposit\u00e1rio infiel poder\u00e1 ser processado criminalmente por ter eventualmente cometido crimes que levaram \u00e0 impossibilidade de restitui\u00e7\u00e3o do bem objeto do dep\u00f3sito, e representaram uma vantagem il\u00edcita ao deposit\u00e1rio, que se apropriou do bem ou vendeu-o a terceiros.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja objeto especificamente das considera\u00e7\u00f5es aqui trazidas, mas, com o intuito de tentar contribuir com os debates sobre o novo c\u00f3digo, em espec\u00edfico do deposit\u00e1rio judicial que det\u00e9m da guarda dos bens penhorados, deve-se destacar que a despeito da exclus\u00e3o da referida a\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sito da nova codifica\u00e7\u00e3o, como a\u00e7\u00e3o nominada de procedimento especial, a nova tutela de evid\u00eancia prevista no art.311, III, do novo c\u00f3digo, estabelece que a tutela ser\u00e1 concedida, independentemente da demonstra\u00e7\u00e3o de perigo de dano ou de risco ao resultado \u00fatil do processo, quando se tratar de pedido reipersecut\u00f3rio fundado em prova documental adequada do contrato de dep\u00f3sito.<\/p>\n<p>Nestes casos, ser\u00e1 decretada, liminarmente, a ordem de entrega do objeto depositado, sob pena de comina\u00e7\u00e3o de multa di\u00e1ria. J\u00e1, no caso de bens apreendidos e mantidos sob a guarda de deposit\u00e1rio judicial cujo paradeiro \u00e9 desconhecido, \u00e9 v\u00e1lida a ordem de bloqueio de dinheiro do devedor, at\u00e9 o valor total da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), em recente decis\u00e3o no <a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=1758790&amp;num_registro=201403463464&amp;data=20181004&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Recurso Especial N\u00ba 1.758.774 &#8211; SP<\/a> (2014\/0346346-4), negou provimento ao recurso de um devedor que buscava afastar o bloqueio em sua conta banc\u00e1ria por entender que a penhora dos bens era suficiente para garantir a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, a penhora dos bens apreendidos se frustrou porque o paradeiro do deposit\u00e1rio \u00e9 desconhecido, e n\u00e3o em raz\u00e3o de qualquer ato diretamente imputado \u00e0s partes.<\/p>\n<p>\u201cDiante desse cen\u00e1rio, justifica-se a substitui\u00e7\u00e3o da penhora por dinheiro, como concluiu o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, porque n\u00e3o podem os recorridos suportar o preju\u00edzo a que n\u00e3o deram causa, ficando impedidos de prosseguir no cumprimento de senten\u00e7a ou obrigados a faz\u00ea-lo a menor\u201d, disse a magistrada.<\/p>\n<p>Nancy Andrighi lembrou que a consequ\u00eancia desse ato \u00e9 a devolu\u00e7\u00e3o dos bens ao recorrente (devedor no processo), e que cabe ao deposit\u00e1rio judicial \u2013 e n\u00e3o aos credores \u2013 responder pelos preju\u00edzos a ele causados, at\u00e9 que se opere a devida restitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O recorrente era locat\u00e1rio de um im\u00f3vel utilizado para fins empresariais. Ap\u00f3s inadimpl\u00eancia e decis\u00e3o judicial para rescindir o contrato, os donos do im\u00f3vel ficaram com cr\u00e9dito de R$ 63 mil. M\u00e1quinas e outros bens m\u00f3veis foram apreendidos no curso da a\u00e7\u00e3o para satisfazer a d\u00edvida.<\/p>\n<p>Como os bens se encontravam em local desconhecido, o ju\u00edzo de primeiro grau autorizou o bloqueio na conta do devedor, at\u00e9 o valor total da d\u00edvida, por meio do sistema Bacenjud.<\/p>\n<p>A relatora destacou que o deposit\u00e1rio judicial \u00e9 mero detentor dos bens, e est\u00e1 sujeito a penalidades por n\u00e3o cumprir com a fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cComo mero detentor dos bens, cabe ao deposit\u00e1rio judicial restitu\u00ed-los a quem tenha o direito de levant\u00e1-los, quando assim ordenado pelo ju\u00edzo; do contr\u00e1rio, altera-se o t\u00edtulo dessa deten\u00e7\u00e3o, podendo se sujeitar o deposit\u00e1rio, al\u00e9m da indeniza\u00e7\u00e3o na esfera c\u00edvel, \u00e0 pena do crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, majorada pela circunst\u00e2ncia de comet\u00ea-lo no exerc\u00edcio da respectiva fun\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Nancy Andrighi.<\/p>\n<p>Contudo, como pode-se observar \u00e9 facto que a figura de fiel deposit\u00e1rio est\u00e1 definida legalmente, e quanto a n\u00f3s, caracterizados os seus direitos e deveres. No entanto, no que \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de bens no processo de insolv\u00eancia e no processo de execu\u00e7\u00e3o concerne, entendemos que tornar-se-ia \u00fatil clarificar a sua amplitude.<\/p>\n<p>\u00c9 de suma import\u00e2ncia a boa administra\u00e7\u00e3o dos bens penhorados ou da massa insolvente, pois s\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel o pagamento e ressarcimento aos credores das d\u00edvidas em mora pelos devedores. Esta \u00e9 uma necessidade que deve ser assegurada num Estado de Direito, justo e equitativo, no qual se pretende garantir a efic\u00e1cia da justi\u00e7a, permitindo a dignidade humana dos devedores e o pagamento dos credores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 facto que a figura de fiel deposit\u00e1rio est\u00e1 definida legalmente, e quanto a n\u00f3s, caracterizados os seus direitos e deveres. 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